O Twitter no jornalismo online.

    Adson Vinicius Santos Santana [1] (UFS, adsonsantana20@gmail.com)

    Lilian Cristina Monteiro França [2] (UFS, liliancmfranca@uol.com.br)

     

    Resumo: Este artigo analisa o microblog Twitter e a conta que o Portal G1 possui na ferramenta. Buscou-se, também, evidenciar a trajetória do jornalismo online e as suas conquistas na web o que gerou uma mudança significativa na produção dos conteúdos jornalísticos, assim como nas rotinas jornalísticas. Destaca-se ainda a origem do microblog Twitter, criado em 2006, que despontou como rede social virtual saindo do âmbito pessoal, transformando-se numa mídia social digital rapidamente cooptada pelos meios de comunicação. Por fim, uma breve análise sobre os dados coletados da conta no Twitter do Portal G1 por meio de uma tabela constando 50 tweets que englobam os finais de semana.

    Palavras-chave: jornalismo online; Twitter; Portal G1; mídia social.

     

    Abstract: This article analyzes the microblog Twitter account and that the G1 has the Portal tool. We attempted to also highlight the history of online journalism and its achievements on the web which led to a significant change in the production of journalistic content, as well as in journalistic routines. Note also the source of the microblog Twitter, created in 2006, which emerged as the social networking site out of their personal, becoming a social media quickly co-opeted by digital media. Finally, a brief analysis of the data collected from the Twitter account of the Portal G1 through a table consisting of 50 tweets that include the weekends.

    Keywords: online journalism; Twitter; G1 Portal; social media.

     

    INTRODUÇÃO

     

    O Twitter, um microblog criado em 2006, tem se destacado como mídia digital, apontando novas formas de produzir notícias. Existe um debate corrente acerca da dualidade da ferramenta Twitter. Por um lado estudiosos o tratam como uma rede social, pela semelhança com outras redes; por outro, é tratado como mídia digital, ao se descolar do caráter mais pessoal das redes para dar lugar a um poderoso instrumento de divulgação de informações.

    A maior parte dos tweets é uma mescla de texto e link; em alguns casos são enviados apenas links e em outros apenas texto. Considerando-se a atual intenção inicial do microblog – responder a questão “O que está acontecendo” em até 140 caracteres, seria de se esperar que o uso de mensagens completas de texto fosse mais freqüente, permitindo ao usuário compreender o conteúdo central de um determinado tópico em pauta. Daí a relevância de se examinar como um determinado veículo de notícias se utiliza do Twitter no que diz respeito à forma de suas mensagens.

    Muitas vezes os tweets limitam-se a divulgar o próprio conteúdo dos veículos, com um link para a notícia completa e não observam as possibilidades de incorporação do conhecimento dos leitores que, em determinados casos, poderiam fornecer outras visões acerca de um determinado fato jornalístico ou acrescentar e adensar as matérias veiculadas. Assim, optou-se pela escolha do G1 – Portal de Notícias, justamente por ser um veículo concebido para a Web e que demonstrou sempre certo arrojo no tocante ao emprego de inovações. Além disso, o G1 é um dos portais mais acessados no país e conta com o background das organizações Globo.

     

    O JORNALISMO E SUA MARCA NA INTERNET

     

    Podemos perceber que a internet é um ambiente que conecta milhares de pessoas em frações de segundos e que, na contemporaneidade, emerge com a função de tornar, o jornalismo cada vez mais instantâneo e com a capacidade de disseminar informações que alcancem um maior número de pessoas, independente do lugar em que estejam.

    Para Mielniczuk (2003) com o desenvolvimento da web, em meados dos anos 90, os artefatos tecnológicos que se utilizavam da internet passaram a ser mais acessíveis tanto pelo viés econômico, quanto no âmbito tecnológico para parte da sociedade. Mediante a sua utilização em larga escala, paulatinamente, os ambientes jornalísticos foram adequando as suas versões de jornais impressos ao formato digital. Vale à pena ressaltar que antes do surgimento da web, a internet já era utilizada para a difusão de informações com cunho jornalístico. “Na maioria dos casos, os serviços oferecidos eram direcionados para públicos muito específicos e funcionavam através da distribuição de e-mails” (MIELNICZUK, 2003, p. 20).

    Não sendo um fenômeno totalmente esgotado, muito pelo contrário, o jornalismo voltado para web vem crescendo gradativamente por razões significativas, mediante os avanços tecnológicos, para a incorporação de uma série de inovações na prática jornalística. No entanto, mesmo que a utilização da internet para uso jornalístico tenha despontado há mais de uma década e mesmo já tendo sido desenvolvidos estudos significativos, não há, ainda, um consenso quanto às terminologias, que tratam do jornalismo que é praticado na internet. Visando dar mais precisão aos conceitos, este artigo utiliza a nomenclatura webjornalismo para designar o jornalismo que utiliza da web 2.0, partindo da premissa de que o jornalismo se dá a partir da execução e popularização do texto noticioso – baseado na ideia de atualidade –, que interessam a um determinando grupo de pessoas – universalidade –, com uma difusão periódica por meio de um determinado suporte.

    No contexto da web 2.0 vê-se a possibilidade de inserção do processo de participação do cidadão na produção e difusão de conteúdo, porém com um cunho ainda predominantemente amador. Nessa conjuntura está inserido o chamado webjornalismo participativo (TRASEL, 2007) que está em constante crescimento. Vale à pena ressaltar que o espaço da web 2.0 autoriza tal participação, pois permite que “essas práticas colaborativas de produção de conteúdo surjam em diferentes pontos do ciberespaço, o que também pode vir a influenciar o jornalismo” (ZAGO, 2008, p.5).

    Consoante Mielniczuk (2003), a caminhada histórica do webjornalismo se baliza por três fases: na primeira fase “os produtos oferecidos eram reproduções de partes dos grandes jornais impressos, que passavam a ocupar a espaço da internet” (MIELNICZUK, 2003, p.32). Nessa fase os produtos, quase em sua totalidade, eram cópias de conteúdos de jornais em papel numa versão para a web; na segunda fase, mediante a uma tendência mundial, houve um aprimoramento da internet no país levando a ocorrência de exploração da rede para o produto jornalístico. “Esta fase em que o jornal impresso funciona com uma referência para a elaboração das interfaces dos produtos, chamamos de fase da metáfora” (MIELNICZUK, 2003, p.34); na terceira fase, percebe-se uma maturidade, pois há a ocorrência de produção de determinados conteúdos voltados para web. “Nos produtos jornalísticos dessa etapa, possível observar de, efetivamente, explorar e aplicar as potencialidades oferecidas pela Web para fins jornalísticos (MIELNICZUK, 2003, p.36).

    Para Zago (2008), visando a uma maior compreensão sobre as constantes do webjornalismo, é preciso ficar atento às especificidades de cada ambiente da web para a prática jornalística. Cada especificidade decorre das características do webjornalismo (MIELNICZUK,2003), “como o hipertexto, e a possibilidade de se conectar blocos de informação que associam informações passadas e futuras, dados textuais e audiovisuais textos de uma outra fonte; e a interatividade, ou a possibilidade de que as pessoas possam interagir no mesmo suporte trocando ideias e informações” (ZAGO, 2008, p. 5).

    Outra característica importante que deve ser citada é o trabalho jornalístico por meio de dispositivos móveis. O jornalismo móvel está em constante crescimento. Cresce na mesma proporção em que a gama dos artefatos móveis, como o celular e tablets, se tornam mais acessíveis. Pode-se produzir conteúdo para os jornais a partir desses dispositivos tanto dentro de uma redação, quanto no local do acontecimento. Percebe-se ainda que com a mobilidade há uma manipulação dos acontecimentos/fatos de qualquer parte do mundo. “A ligação com a mobilidade pode vir a alterar a relação do individuo com a notícia, na medida em que, por intermédio dos dispositivos móveis, o jornalismo passa a estar disponível a qualquer hora, em qualquer lugar” (ZAGO, 2008, p. 6).

     

    O BLOG E O MICROBLOG COMO FERRAMENTAS JORNALÍSTICAS

     

    Dentro de um emaranhado de tipos de Blogs, no que tange ao seu conteúdo, existem aqueles que contêm informações jornalísticas. De acordo com (ZAGO apud BRUNS, 2005, p.6) o fator determinante para a utilização dos Blogs veio através de um impulso nos “11 de setembro de 2001”, quando se destacou o caráter dos mesmos como fonte jornalística, pois apresentavam a visão particular das famílias e sobreviventes do ataque ao World Trade Center.

    Podemos inferir que estamos diante de um meio que tem como apropriação um formato voltado exclusivamente para a web, se inserindo na terceira fase do webjornalismo (MIELNICZUK, 2003). Da mesma forma temos os microblogs que podem ser utilizados como ferramentas para o jornalismo voltado para a web. “O prefixo “micro” de microbblogging se refere à extensão das postagens, mas também poderia remeter aos dispositivos capazes de redigi-las e transmiti-las” (SILVA & CHRISTOFOLETTII, 2010, p. 67).

    Apesar de ser um produto mais recente os microblogs já mostram ser potencial na difusão de notícias, como Java et al. (2007) colocam como uma das principais características. Num meio de muitas ferramentas de microblogs destacam-se: Jaiku,  Powce e Twitter, pelo alcance no âmbito mundial que tiveram. Destarte, para Cases e Garcia   (2011), o potencial do Twitter deve merecer mais atenção, pois se apresenta como uma ferramenta potencial para o webjornalismo, pois ele tem uma capacidade de unir as idiossincrasias do cotidiano das pessoas. Na medida em que, de certo modo, desestrutura o poderio dos grandes meios de comunicação de massa ao aproximar o produtor de conteúdo, faz-se necessário para a manutenção das empresas midiáticas o enquadramento num novo modelo de fazer jornalismo.

     

    O TWITTER E SUAS ORIGENS  

     


    Surgindo em meio à revolução informacional – caracterizada pelo uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) - e enquadrando-se na nova conjuntura de comunicação móvel e ágil, o Twitter se molda a partir da ação de trocas de informações, links, mensagens e notícias num espaçamento de 140 caracteres (assemelhando-se com a quantidade de caracteres do SMS). Com muita agilidade e boa navegabilidade ele instaura, portanto, a era dos microblogs que podem ser considerados como uma espécie de “blogs simplificados” (ZAGO apud ZAGO, 2008a, p.3), porém com característica inerente ao blog, como a ordem cronológica inversa.

    Segundo reportagem publicada no Jornal O Estado de São Paulo (TELLAROLI  apud O ESTADO DE SÃO PAULO, 2010, p. 2), inspirado pelo modelo de comunicação dos taxistas, que informavam com mensagens curtas onde estavam, em 1992, o empresário Jack Dorsey questionou-se sobre a possibilidade de pessoas comuns fazerem o mesmo em sua vida cotidiana. Animado pela sua percepção e pelo desejo inicial, em março de 2006, Dorsey levou ao criador do Blogger, Evan William, a apostar na ideia, porém ele utilizou-a como serviço de comunicação interna de sua empresa, a Obvious. Em outubro do mesmo ano, houve a expansão para o grande público e em abril de 2007 foi formada a empresa Twitter, Inc, encerrando a parceria com a Obvious.

    O pássaro azul foi escolhido como o símbolo do serviço, considerando, para tanto, a analogia entre o nome – Twitter – e o canto do mesmo e, também a expressão popular a little bluebird told me (um passarinho me contou) . No entanto, o Twitter apresentava a indagação “What are you doing?” (“o que você está fazendo?”). Desde 2009 os usuários respondem a pergunta “What’s happening?” (“o que está acontecendo?”). Para Vanessa  Nunes  (2009) a ferramenta  extrapolou o uso banal do relato dos afazeres do cotidiano e tem ajudado pessoas a compartilhar e a descobrir o que está acontecendo ao ser redor.

    “A rede social, passa a representar um conjunto de participantes autônomos, unindo ideias e recursos em torno de valores e interesses compartilhados” (MARTELETO, 2001, p. 72). Ao possibilitar esse tipo de relação no ambiente virtual, o Twitter dá aos seus usuários a possibilidade de seguir e serem seguidos por amigos e empresas, lembrando os sites de relacionamento.

     

    “Quando uma rede de computadores conecta pessoas ou organizações é uma rede social. Assim como uma rede de computadores é um conjunto de máquinas ligadas por um conjunto de cabos, uma rede social é um conjunto de pessoas (ou organizações ou outras entidades sociais) conectadas por um conjunto de relações sociais, como amizade, cooperação de trabalho ou de informações de troca” (GARTON, 2009, p.4).

     

    A grande diferença é que um usuário seguido por determinada pessoas não é obrigado a responder da mesma forma, ou seja, é possível seguir alguém – acompanhar as informações postadas por ele – e não ser seguido pelo mesmo.

    As ferramentas do Twitter podem ser utilizadas para fins diversos sendo atribuídas, também, várias funções; podemos citar o exemplo de usá-lo como rede social virtual ou como meio de informação. O Twitter adquiriu uma dupla faceta em seu uso e apropriação: foi, concomitantemente, uma ferramenta de conversação e uma ferramenta de informação, como afirma Recuero (2009).

    “A propagação de mensagens via Twitter obedece às regras das cascatas de informações” (CASAES & GARCIA apud BIKHCHANDANI, HIRSHLEIFER & WELCH, 2007, p.7); a partir dessa premissa estamos diante de um rede que pode atender a certas necessidades da sociedade de emitir e obter informações das mais variadas esferas e interesses. Quando, por exemplo, examinamos o repasse de informações acerca do tempo, acidentes e desastres naturais conferimos ao site um caráter de utilidade pública, aproximando-o muitas vezes a ideia de RSS. Para Silva e Christofoletti  (2010) a ênfase do Twitter em conectar milhares de pessoas também é um dos motivos que explicam sua intensa difusão. Podendo corroborar, enfim, uma criação de uma esfera pública idealizada por Habermas numa afirmação de que por meio de um debate democrático, a sociedade defenderia seus direitos a fim de alcançar melhorias no âmbito social, sendo o Twitter um local que proporciona tal debate como cita Mota e Carvalho  (2010).

    Recuero (2009) diz que um ponto importante nas discussões das redes sociais, e consequentemente do Twitter, é a conectividade dos usuários, pois estes estão “cada vez mais ubiquamente e permanentemente ligados entre si”. Por isso o site avança como uma das redes de mais acessibilidade popular alcançada pela mobilidade e pelo aperfeiçoamento tecnológico. De acordo com pesquisas da consultora americana comScore (PALAZI apud SCHONFELD, 2009, p. 2) em 2009 o Twitter já possuía no mundo 10 milhões de usuários, alcançando posteriormente uma marca de 44,5 milhões no mesmo ano. Hoje, já se tornou umas das formas mais importantes de comunicação digital da atualidade tendo cerca de 100 milhões de usuários ativos que utilizam a rede para acessar informações uma vez ao mês e cerca de 50 milhões que utilizam o Twitter diariamente, segundo o CEO da rede, Dick Costolo.

     

    O TWITTER COMO FERRAMENTA JORNALÍSTICA

     


     

    Com a possibilidade de enviar mensagens rápidas (quase/ou em tempo real) e se adequando a quase todos os dispositivos móveis, o Twitter desponta como uma ferramenta primordial nas rotinas jornalísticas. Veículos de grande importância no Brasil, como no caso do G1, Folha de São Paulo e o Estadão em suas versões online, já utilizam o Twitter. Também há a participação do cidadão, pois os tuiteiros podem tuitar fatos/acontecimentos utilizando a plataforma. Diante dessa conjuntura percebe-se uma maior atenção por parte dos meios de comunicação para com o Twitter, pois uma vez que o determinado assunto é demasiadamente comentado, pode acarretar a geração de uma pauta para um determinado meio, sendo posteriormente incorporado às práticas jornalísticas de apuração.

    Vale a pena ressaltar que se pode perceber o caráter de instantaneidade do Twitter, pois o mesmo pode servir como elo fundamental entre o fato e a notícia:

     

    “Portanto, percebe-se que essa mobilidade de blog, pelas características apresentadas, enquadra-se num perfil adequado para o uso jornalístico, que exige, mas que qualquer outra prática, o caráter do imediatismo e da atualização contínua em situações de cobertura de um evento (crises, acidentes, conflitos) em que está em jogo a competição pelo tempo real entre diversas mídias” (SILVA, 2009, p. 25).

     

    Para Aguiar (2009), o uso deve ir acompanhado de entendimento de que sites como o Twitter podem ser utilizados como rede social virtual e que faz – se necessário experimentar o contato com o leitor, respondendo aos seus comentários ou a alguma forma de interação que o veículo possibilite. Sendo permitido o máximo de 140 caracteres por postagem, vê-se, para Zago (2008), uma limitação de tamanho para cada atualização fazendo com que se tenha que repensar a produção de conteúdos específicos para esse suporte.

    A limitação de caracteres, associada à disposição de em ordem cronológica inversa das atualizações, faz com que a ferramenta se torne interessante de ser empregada para coberturas estilo minuto a minuto de eventos e acontecimentos (no caso, frase a frase), o que inclusive pode se dar a partir de dispositivos móveis. Já a eventual superficialidade das atualizações em uma ferramenta com limitação de caracteres pode ser compensada pelo fato de que se pode aprofundar informações através de hipertextos, a partir de da posição de links que apontem para esses que complementem a informação (ZAGO, 2008, p.9).

     

    Assim o Twitter uma vez inserido nas práticas e rotinas jornalísticas permite que essa prática seja reinventada constantemente, tornando-se acessível aos diferentes veículos jornalísticos. “É nesse contexto que surgem novas apropriações, a partir de experimentações de uso, que acabam se transformando em exemplo para que outras organizações também pensem em novos usos para o formato” (ZAGO, 2008, p.13).

     

    METODOLOGIA  

     

    Em caráter inicial, para a fundamentação do artigo realizou-se um levantamento de fontes bibliográficas e sua leitura; além da observação do objeto de estudo (Twitter do Portal G1), para que fosse conformado o que foi exposto na revisão da literatura e o que será explicado, ainda, nos resultados e discussão.

    Através do Twitter pessoal do pesquisar foram estudadas as formas de uso do Twitter selecionado: Portal G1. A partir daí foi produzida uma análise através de uma tabela contendo tweets recebidos do Portal G1 nos finais de semana que engloba o período de 14/01/2012 a 21/01/2012.

    Por amostragem foi coletado 50 tweets dos referidos finais de semana, pois essa opção se baseia pelo fato de, no geral, serem publicações que doa mais tempo para aprofundar suas leituras, demandando um maior grau de hipertextualidade.

    A tabela foi montada e analisada com base em três categorias: somente links, texto e links e texto completo em até 140 caracteres sem links. Foi utilizado o método da análise de conteúdo que para Guerra (2006, p.78), se baseia em “ordenar os materiais recolhidos, classifica-los segundo critérios pertinentes, encontrar dimensões de semelhanças e diferenças, as variáveis frequentes e as particulares”.

    Para Quivy  e Champenhoudt   (1992) a análise de conteúdo é muito pertinente para as pesquisas no campo da Comunicação, e principalmente de utilidade básica para análise de processos que envolvem a difusão e socialização.

     

    RESULTADOS E DISCUSSÃO

     

     

    O Portal G1 é considerado o maior portal de notícias do Brasil. É originado do Portal Globo.com, o qual teve suas atividades iniciadas em 16 de setembro de 2006 na comemoração aos 56 anos da TV no Brasil. O portal se enquadra no panorama do webjornalismo. O portal é monitorado pela Central Globo de Jornalismo e dispõe aos internautas conteúdos jornalísticos das mais variadas empresas da própria organização.

    Para estabelecer um entendimento no que tange às formas de apropriação do Twitter pelos meios de informação e dos usos jornalísticos deste serviço, foi analisado a conta de Portal G1, no Twitter. O conteúdo foi analisado quantitativamente, nos finais de semana que engloba o período de 14/01/2012 a 21/01/2012. 

    Durante o período de análise podemos perceber que o Portal divulga as suas notícias através de textos que servem como caminho para a matéria ou reportagem. Através do link, que também compõe a mensagem veiculada no microblog, o usuário pode chegar à página do Portal G1 e ter acesso ao conteúdo na íntegra. Verifica-se, também, que algumas postagens têm características em que o Portal atualiza sua conta no Twitter com informações sobre o clima, trânsito e incêndio, levando alguns autores a não considerar como noticia.

    Quanto à interatividade e a capacidade de que o leitor participe do processo de produção dos textos veiculados Twitter, houve uma única ocorrência no período, levando a constatação de que, no geral, não há interação com público. Não se observou nenhum outro tipo de mecanismo como o retweet e o reply. Em contrapartida, quando o leitor utiliza o link para acessar a matéria por completo, percebe-se uma possibilidade de interatividade com o leitor através da disponibilização das opiniões dos leitores, além do próprio link do Portal G1 como o Você no G1.

    Numa análise mais ampla, é notório que a conta que o Portal G1 tem no Twitter é uma maneira de tornar mais visível a sua produção jornalística, assim como adequar-se à instantaneidade que a própria web produz: a era do rápido, do veloz e da mobilidade. Vale a pena ressaltar que o Portal G1 atualiza suas postagens de maneira automática, reproduzindo, apenas o conteúdo do site do jornal G1 por meio de RSS feed.

    Devido ao anseio da sociedade, de uma maneira geral, em se manter mais informada faz com que o fluxo de notícias aumente cada vez mais. Esse movimento gera um fenômeno chamado cascatas de informações onde os meios de comunicação se enquadram num formato que atinja essa demanda de informações.

    É uma ideia de que o fato de não existir uma interação constante com o meio, não veta a possibilidade de que os seguidores produzam uma ligação rumo a gerar uma opinião pública, pois estes estão mais ligados entre si.

    Analisando as três categorias: somente links, texto e links e texto completo em até 140 caracteres houve análise da referida tabela abaixo. A opção pelos tweets dos finais de semana se deve ao motivo do leitor ter mais tempo para dedicar a leitura das matérias e reportagens do portal. Segue a tabela constando 50 tweets para que se possa ter entendimento da apropriação da conta do Portal G1 no Twitter e as suas modificações.

     

     

    TABELA 1 - LISTA DE TWEETS RECEBIDOS DO G1 NO PERÍODO DE 14/01/2012 A 21/01/2012

     

     

    Para Zago (2008) o fato de o Twitter limitar o tamanho a cada atualização faz com que se repense a criação e produção de conteúdos específicos para esse suporte. Como há uma limitação de caracteres e uma associação com a ordem cronológica inversa, os meios de comunicação utiliza a ferramenta num estilo de cobertura, de eventos e acontecimentos, minuto a minuto.

    Com a presença do link e o advento dos mecanismos que encurtam os mesmos como o TinyURL, por exemplo, faz com que se apregoe o texto mais o link na postagem. Porém, há casos em que a produção se limita ao tamanho do formato, ou seja, produções com apenas textos, sem o link, resultando na notícia em 140 caracteres. No caso do Portal G1 e as categorias analisadas somente links, texto e links, e texto completo em até 140 caracteres, observou-se que o portal só utiliza a opção texto e link. Também utiliza as fontes das próprias bases da sua rede para a publicação se seus tweets, pois sua rede possui bases em quase todo país e algumas no exterior.

    Dos 50 tweets analisados, 49 se enquadram na classificação proposta por Zago (2008) Feed, que são micropostagens com títulos de reportagens acompanhadas de links para os textos completos. E apenas 01 se classifica como Pessoal, pois são redigidas em tom mais informal e menos institucional.

    Para Siva e Christofoletti (2010) atualizações do tipo Pessoal são mais raras em contas de Twitter jornalístico. O que corrobora com o caso do Portal G1, pois no período analisado só houve um ocorrência.

    Podemos perceber que o Portal G1 estabelece o contato com o leitor através de sua conta no Twitter por meio de atualizações automáticas das matérias ou reportagens do site do jornal G1. Paro o leitor estabelecer uma interatividade e entrar em contato com a hipertextualidade ele deve ter aceso ao link postado pelo portal.

    Pode – se inferir que a conta do Portal G1, no Twitter, não está inserida na terceira fase do webjornalismo proposta por Mielniczuk (2003), que é uma fase mais atual e de uma maturidade se tratando da web 2.0. Levando ao entendimento de que a conta que o Portal possui no Twitter, não utilizou todas as possibilidades que a terceira fase propõe.

     

    CONSIDERAÇÕES FINAIS

     

    O jornalismo não tinha condições de se manter longe das modificações que ocorreram na web, acarretando no que se denomina de webjornalismo. O microblog – Twitter – pode ser visto de várias maneiras, sendo posto com maior ênfase neste artigo pela sua apropriação para a produção jornalística.

    A apropriação do Twitter pode ser de mais valia e com maior grau de aproveitamento se forem produzidos conteúdos voltados exclusivamente para a ferramenta, corroborando com a terceira fase do webjornalismo.

    Dentro desse panorama, se enquadra a discussão em torno da utilização do Twitter, pelo Portal G1, como meio de difundir as suas matérias e reportagens através de textos que trás o título do conteúdo mais o link levando o leitor a página do portal onde se encontra o texto na íntegra. Tem-se a interatividade e hipertextualidade como mecanismo de atrair o público ao meio, que, por conseguinte, o Twitter do portal não os explora muito bem, mas em contrapartida que se há um contato com a página do portal através dos link’s se tem uma aproximação com os mecanismos.

     

    RERERÊNCIAS

     

    AGUIAR, L. F. de; Twitter:  Mobilidade   e  Colaboração  em  Rede  Social  a  Serviço do Jornalismo. Acesso em: 15/01/2012.

    CASAES, D.; GARCIA, R. T.; Produção e consumo de notícia: O Twitter enquanto ferramenta jornalística. Acesso em: 15/01/2012.

    GARTON, L.; HAYTHORNTHWAITE, C. e WELLMAN, B.  Studying Online Social Networks. Journal of Computer Mediated Communication, n.3, vol. 1, 1997. Acesso em: 25/01/2012.

    JAVA, A.; SONG, X.; FININ, T.; TSENG, B. Why We Twitter: Understanding Microblogging Usage and Communities”. Procedings of the Joint 9th WEBKDD, 2007. Acesso em: 16/01/2012.

    MARTELETO, R. M.; Análise de redes sociais – aplicação nos estudos de transferência da informação. Acesso em: 15/01/2012.

    MIELNICZUK, L. Jornalismo na Web: uma contribuição para o estudo do formato da notícia na escrita hipertextual. Tese (Doutorado em Comunicação e Culturas Contemporâneas), Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, 2003. Acesso em: 15/01/2012

    MOTA, F.; CARVALHO, R. M. de.; Jornalismo, democracia e as redes sociais na Internet: twitter uma possibilidade para uma formação de uma esfera pública. Acesso em: 25/01/2012.

    NUNES, V. O que está acontecendo. Acessado em: 16/01/2012.

    PALAZI, A. P.; ZANOTTI, C. A.; O Twitter no jornalismo: uma aproximação com a obra pioneira de Otto Groth. Acesso em: 15/01/2012.

    QUIVY, Raymond.; CAMPENHOUDT, Luc Van. Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa, 1992. Acesso em 10/07/2012.

    RECUERO, Raquel. Mídia Social além do hype. Acesso em: 16/01/2012.

    RECUERO, R. (2009), Informação e credibilidade no Twitter, Jornalistas da Web, Rio de Janeiro. Acesso em: 15/01/2012.

    REVISTA EXAME. “ Twitter tem 100 milhões de usuários ativos - Desses, 50% ativam diariamente a rede social, avaliada em US$ 8 bilhões”. Acessado em: 17/01/2012.

    SILVA, Fernando Firmino da. Moblogs e microblogs: jornalismo e mobilidade em: Blogs.Com: estudos sobre blogs e comunicação. Momento Editorial, 2009. Acesso em 17/01/2012

    SILVA, Francisco Antônio Machado; CHRISTOFOLETTI, Rogério. JORNALISMO EM 140 TOQUES: análise de três contas do Twitter no Brasil. Acesso em 24/01/2012.

    TELLAROLI, T. M.; O uso do Twitter pelos portais de notícia UOL, TERRA E G1. Acesso em 15/01/2012.

    TRÄSEL, M. A pluralização no webjornalismo participativo: uma análise das intervenções no Wikinews e no Kuro5hin. Dissertação (Mestrado em Comunicação e Informação), Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2007. Acesso em 16/01/2012.

    WIKIPÉDIA. A enciclopédia livre. G1. Acesso em 24/01/2012

    ZAGO, Gabriela da Silva. O Twitter como suporte para produção e difusão de conteúdos jornalísticos. In: 6º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, 2008, São Bernardo do Campo, SP. 6º SBPJor, 2008a. Acesso em: 16/01/2012.